segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Confesso...eu pequei!


Penso na construção de um personagem.
São tantas as variantes em minha cabeça que confesso - completamente sem pudor - Não sei por onde ir.
Não encontro nenhuma técnica absolutamente confiavél. Não que as técnicas não sejam. Eu usá-las é que não acho confiável. Não que eu seja infiel, incapaz de seguir alguma, mas sempre me pego me achando canastrona. Não canastrona porque acho que sou canastrona como atriz, porém me sinto canastrona por não conseguir seguir ao pé da letra tal ou tal técnica.
Sem saber acabei de conquistar uma verdade incontestável. Assumi minha sem vergonhice. É isso! Consegui - seguem pulinhos patéticos feitos nesta que está sentada a cadeira defronte ao Monitor! - fui sincera com a pessoa mais difícil de ser ...Eu mesma! Estou que nem Gumercino - "Não quero arrancar a página, quero é cair no samba!" Espera aí....

Irresistível...tive que correr a janela e aproveitar, meio que quase caindo lá embaixo, um pouco de chuva que cai pra molhar o que der pra molhar! Revigora. Queria é tá no mato recebendo essa chuva toda, mas como não tô, ensaiei na janela.

Voltando...é isso! Fui honesta. Contudo isso não quer dizer que não queira experimentar mais algumas técnicas novas, velhas, imponderáveis, ocultas, sinistras, alegres, divertidas, contundentes, leves, pesadas...ah! Oba! Eu quero é cair no samba!

domingo, 24 de janeiro de 2010


Para onde leva essa estrada? Que cidade será essa?
Quando? Onde? Como? E com quem?
Enquanto caminho, sinto cheio de café que acabou de ser passado.
No céu relâmpagos avisam da chuva que vem, me lembrando do meu passado mais distante.
E sinto um prazer enorme em caminhar, meu presente.
Sem hora, sem preocupação, sem ninguém conhecer, meu futuro.
Eu nunca caminhei tão bem comigo assim.

Frases entrecortadas....

Começo de era. Assim era no início. Assim vai ser sempre. Início, nunca reiniciar, sempre começar, escrever, nunca reescrever. Como diz um amigo: Não vire a página, arranque-a! Sim e assim sempre vai ser a partir de agora. Fotografia em preto e branco em vão, quero estar no vão das coisas, ser simplesmente um texto redigido sem pontuação e ir modificando de acordo com o sabor do momento e da virada. Virada do ano, promessas novas, novos acontecinentos acometidos de nada mais e menos ainda. Ufa! Esse foi um discurso livre cheio de raiva! E, assim, Gumercino descia a ladeira com a cabeça repleta de frases prontas, receitas feitas, provérbios mais que ensebados. E ele ia arquitetando todas as suas frases ordenadas em ordem alfabética. Até que escorregou. Se estabacou completamente em plena esquina da Rua Alice com a Rua das Laranjeiras e para piorar a situação, lá bem perto, vinha o Gigantes da Lira. Rua cheia, repleta, muitos risos, pessoas olhando, uns vieram ajudar, mas ele permanecia com olhar naquele límpido céu e sua cabeça foi se distanciando daquela turba e foi apenas ouvindo o falar intenso, os passos, a música ao longe. A batucada, os risos e qual era mesmo a ordem das suas frases? O que fazia ali com o sol a aquecer sua face e a calçada a queimar suas costas? Num instante tudo se fez claro. Nada mais em ordem, tudo confuso mas com uma sinceridade que nunca sentiu antes. Abriu os olhos, encarou quem o ajudava, limpou as calças, agradeceu, disse que estava bem, só um susto, fiquem tranquilos, etc. E pensou: Que arrancar página que nada, eu quero é cair no samba!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Interminável

Calor insuportável e ela caminhava com dores no quadril. Noite mal dormida. Boca ressecada, um inconfundível desespero pelo tempo que findava. Estava inquieta, descontente e não sabia por onde começar. Desceu a rua movimentada.  Com passos cuidadosos para não piorar a situação das pernas que pesavam nos velhos sapatos desbotados. Quase não percebia o vento quente de verão, seus pensamentos eram tão egoístas que se concentravam apenas nela, em como sofria, em como era  injustiçada e com era...como era...como era...
Quando foi retirada de sopetão de seu interior mofado por uma freada brusca. Olhou mas não sabia de onde tinha vindo aquele som. O coração disparou e conseguiu entre as gotas de suor que lhe desciam pela testa vislumbrar duas pessoas discutindo, impedindo o trânsito de andar.
E, ficou parada olhando as pessoas que gesticulavam nervosas ao longe. E como num solavanco saiu daquele estado e deu uma vontade sublime de tomar sorvete de casquinha, mas "diabos" onde encontraria sorvete de casquinha ali?